Partindo do pressuposto de que a temática desse eixo deve
aparecer transversalmente em todos os eixos estruturantes do currículo do curso
de filosofia, propõe-se aqui reunir um conjunto de questões, temas e problemas
filosóficos em sua historicidade, relativos ao desenvolvimento dos estudos e
pesquisas filosóficas no Brasil, na América Latina, na África e suas diásporas em relação com os
aspectos culturais envolvidos nesse processo, de modo a que o estudante de
filosofia possa ter boa formação em conhecimentos da história da filosofia no
Brasil, na África e na diáspora africana.
Em primeiro lugar, devemos considerar a história da
filosofia no Brasil, conhecendo os principais pensadores que em nosso país
elaboraram um pensamento filosófico significativo para compreensão da situação
atual da pesquisa e do ensino de filosofia em nossas terras. Isso inclui
conhecer o desenvolvimento histórico do pensamento filosófico no Brasil (desde a
matriz aristotélico-tomista dos jesuítas colonizadores, a matriz empirista e
iluminista advinda das reformas pombalinas em Portugal, a matriz eclética
espiritualista predominante no período imperial, a matriz positivista do
primeiro período republicano, o advento da missão francesa fundadora da USP e
sua influência no pensamento filosófico brasileiro, e o desenvolvimento
diversificado deste, desde então até os dias atuais.
Isso inclui o estudo de pensadores participantes do período
que precedeu a formação universitária em filosofia, e alguns dos principais
pensadores que lhes sucederam entre os que mais influenciaram o pensamento
filosófico contemporâneo no Brasil.
Com relação ao pensamento africano e afro-diaspórico, este
eixo propõe estudos envolvendo o pensamento egípcio da antiguidade e a
discussão de seu suposto caráter filosófico, o estudo de cosmovisões africanas
e sua relação com a emergência da chamada etnofilosofia, filosofia da
ancestralidade, a problematização genealógica do afrocentrismo, da negritude, do
pan-africanismo,da diáspora, do racismo, das relações de gênero, da dominação
de classe e do culturalismo.A emergência do pluralismo no pensamento filosófico
e dafilosofia intercultural.Estudos das obras de pensadores e pensadoras
africanos e afro-diaspóricos antigos e contemporâneos.
Além disso, o estudo do pensamento filosófico
latino-americano também deveria ser incluído como proposição do eixo de modo a
contemplar nossa inserção no contexto das filosofias do Sul, como pensamento
crítico desconstrutivo do eurocentrismo.
As temáticas devem ser apresentadas historicamente. O
presente, a contemporaneidade, a atualidade, devem ser o horizonte
perspectivistico de abordagem desses conteúdos em sua historicidade, de modo a
contextualizá-los para que sejam apropriados pelos estudantes no âmbito da
cultura contemporânea, com sua forte influência da cultura jovem de rua,
particularmente da arte urbana.
Uma perspectiva metafilosófica, na qual a filosofia em sua
historicidade é considerada em sua pluralidade de perspectivas historicamente
constituídas e avaliadas genealogicamente quanto à vida (não apenas humana, nem
circunscrita à atual).
Uma abordagem interdisciplinar da filosofia: O arcaico evocado
em diálogo com a antropologia tanto como a contemporaneidade da pluralidade
cultural. A criação cultural das artes de viver evocada no diálogo com as artes
tanto como a criticidade que elas suscitam. A desconstrução das relações de
poder nos diversos contextos evocada no diálogo com a sociologia tanto como as
novas formas de sociabilidade. A descolonização dos saberes evocada em diálogo
com a Pedagogia tanto como a apropriação de saberes no sentido da auto-educação.
CONTRIBUIÇÕES PARA A MATRIZ CURRICULAR:
1 - Componentes curriculares obrigatórios:
1.1 - História do pensamento filosófico no Brasil
(ementa a ser elaborada incluindo o pensamento de Gonçalves
Magalhães, Tobias Barreto, Sílvio Romero, Farias Brito, Antero de Quental,
Álvaro Vieira Pinto, Miguel Reale, Alceu Amoroso Lima, Jackson de Figueiredo,
Oswald de Andrade, entre outros)
1.2 - História do pensamento filosófico na América Latina
(ementa a ser elaborada incluindo o estudo de pensadores como
Enrique Dussel, Leopoldo Zea, Andres Roig, entre outros.)
História do pensamento filosófico na África
(Ementa a ser elaborada incluindo o estudo de pensadores
como Cheik Anta Diop, Leopold Senghor, Kwame Anthony Appiah, Paulin Hountondji,
Fabien Eboussi Boulaga, Kwasi Wiredu, Mudimbe, Severino Elias Ngoenha, Filomeno
Lopes, Jean Patrice Ake, Tshiamalenga Ntumba, Theophile Obenga, Celestin Monga, Cheik Hamidou Kane, Steve
Biko, entre outros.)
(Ementa a ser elaborada incluindo o pensamento de Frantz
Fanon, Stuart Hall, Raul-Fornet Betancourt, Eduardo Oliveira, Renato Noguera,
Wanderson Flor, entre outros)
2 – Componentes curriculares optativos:
Pensamento Genealógico Africano e Afro-diaspórico.
Estou olhando aqui a proposta de autores das componentes: 1.2 História do pensamento filosófico na América Latina, Historia do pensamento na África e 1.3 - História do pensamento filosófico afro-diaspórico.
ResponderExcluirAcho que precisamos incluir pensadoras, as autoras negras norte-americana e diaspóricas, autoras africanas e latinas.....Posso me encarregar de fazer algumas propostas?
Com relação ao pensamento africano, afro-diaspórico e latino-americano, este eixo propõe constituir um espaço de problematização das condições concretas de emergência e construção das diferentes correntes filosóficas e de pensamento crítico, tanto no contexto pré-colonial quanto no contexto da modernidade/colonialidade e sua desconstrução.
ResponderExcluirOlá pessoal, aqui vão as sugestões bibliográficas que fiquei de encaminhar:
ResponderExcluirquanto ao ponto relativo à" História do pensamento filosófico na América Latina", sugiro o acréscimo das seguintes referências: Walter Mignolo, Aníbal Quijano, Ramón Grosfoguel, Maria Lugones, Silvia Rivera Cusicanqui, Karina Bidaseca, Rita Segato
A maioria não são filosof@s, mas acho que podem contribuir para a construção de um pensamento latino-americano
Para o eixo "História do pensamento filosófico afro-diaspórico", também proponho a inclusão de algumas autoras que não são necessariamente filosofas mas que, no meu ver, podem aportar bastante para a construção deste pensamento: bell hooks, Patricia Hill Collins, Angela Davis e Kimberley Crenshaw
ResponderExcluir