domingo, 3 de maio de 2015

1. CURSO

NOME DO CURSO: FILOSOFIA

MODALIDADE: Licenciatura Plena
REGIME ESCOLAR: Seriado trimestral
TURNOS DE FUNCIONAMENTO E DURAÇÃO DO CURSO:

Noturno e vespertino
Mínimo 03 anos
Máximo 4,5 anos

CARGA HORÁRIA TOTAL:3.000horas/aulas
TÍTULO ACADÊMICO: Licenciado(a) em Filosofia
VAGAS AUTORIZADAS: 80 vagas anuais.
AUTORIZAÇÃO DE FUNCIONAMENTO:
ÁREAS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL: MAGISTÉRIO DO ENSINO MÉDIO
BASELEGAL: LDB nº 9394/1996; Resolução CNE/CES/492/97, Resolução CNE/CES/583/2001 e Resolução CNE/CES/492/2001, que dispõem e instituem Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Filosofia.


O nosso curso de Licenciatura em Filosofia será de regime seriado trimestral, com duas entradas anuais em 40 (quarenta) vagas (cada). O título acadêmico será o de Licenciada(o) em Filosofia. A grade será disposta em nove (09) trimestres, com um mínimo de três (03) anos e com um máximo de quatro anos e meio (4,5) de duração. A carga horária total deverá ser de 3.300 (três mil e trezentas) h/a, as quais serão compreendidas no que se segue: i) 340h/a correspondentes a atividades de extensão; ii) 200h/a a atividades complementares; iii) 400 h/a de estágio docente obrigatório e iv) 560 h/a aproveitadas do currículo dxs egressxs do BHU, sendo 200 (duzentas) h/a do núcleo obrigatório comum, 160 (cento e sessenta) h/a do núcleo obrigatório do conhecimento em humanidades e 200 (duzentas) h/a aproveitadas de componentes optativas consideradas de interesse à formação filosófica. As disciplinas do currículo do BHU a serem aproveitadas do núcleo obrigatório comum serão as seguintes: i) Sociedade, História e Cultura dos Espaços Lusófonos; ii)Iniciação ao Pensamento Científico; iii) Inserção á Vida Universitária e ao Curso; iv) Leitura e Produção de Texto I e v) Tópicos Interculturais nos espaços Lusófonos (subtotal de 200 h/a). As componentes a serem aproveitadas do núcleo obrigatório do conhecimento em humanidades serão as que seguem: i) Filosofia I; ii) Estética e Filosofia da Arte; iii) Metodologia da Pesquisa Interdisciplinar em Humanidades e iv) História das Ideias Políticas e Sociais (subtotal de 160 h/a). As componentes optativas do currículo do BHU a serem consideradas de interesse à formação filosófica serão as seguintes: i) Filosofia da Lógica e da Linguagem; ii) Estudos das Humanidades; iii)Filosofia da Mente; iv) Educação Intercultural; v) Filosofia da Ancestralidade e Religiosidades Africanas e Afro-brasileiras; vi) Tópicos em Estética; vii) Notas Introdutórias á Filosofia da Música; viii) Estudos de Estética do Teatro; ix) Pensamento Filosófico Moderno e Contemporâneo e x) Arte Contemporânea. Destas 10 (dez) componentes optativas do currículo do BHU, consideradas de interesse à formação filosófica, x alunx ingressante na Licenciatura em Filosofia poderá aproveitar um máximo de 05 (cinco) (subtotal de 200 h/a) Total de carga horária aproveitada do currículo do BHU - 560 h/a. 1800 (mil e oitocentas) h/a corresponderão a 45 componentes, entre obrigatórias e optativas, a serem dispostas no curso dos 09 (nove) trimestres, entre os 07 (sete) eixos estruturantes de nossa proposta, com a seguinte conformação: Eixo 01 - História do Pensamento Filosófico: 07 componentes ( 04 obrigatórias + 03 optativas); Eixo 02 - Ontologia e Metafísica: 06 componentes ( 03 obrigatórias + 03 optativas); Eixo 03 - Lógica, Epistemologia, Teoria do Conhecimento e Filosofia da Linguagem: 06 componentes ( 04 obrigatórias + 02 optativas); Eixo 04 - Ética e Filosofia Política: 06 componentes ( 04 obrigatórias + 02 optativas); Eixo 05 - Estética e Filosofia da Arte: 06 componentes ( 03 obrigatórias + 03 optativas); Eixo 06 - Filosofia e Cultura no Brasil, na América Latina, na África e em suas Diásporas: 07 componentes ( 04 obrigatórias + 03 optativas) e Eixo 07 - Filosofia da Educação e Ensino de Filosofia: 07 componentes (05 obrigatórias + 02 optativas). Conforme recomendação da PROGRAD/UNILAB, nos 8º e 9º trimestres não deve haver a oferta de componentes obrigatórias, apenas de optativas, haja vista que o estágio docente obrigatório deve se concentrar nestes dois últimos trimestres, a fim de que se possibilite, por parte dxs estudantes internacionais, a realização desse estágio em seus países de origem. A quantidade de 05 (cinco) componentes obrigatórias no eixo 07 se justifica em razão da exigência dessa quantidade de disciplinas com conteúdos relacionados à educação e à formação pedagógica dx docente. Eventuais disciplinas eletivas (adicionais) poderão ser cursadas no âmbito do TIAC.

MANTENEDORA/REITORIA:
Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira - UNILAB
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2. COMISSÃO DE ELABORAÇÃO DO PROJETO

Prof. Dr. Antônio Vieira da Silva Filho
Prof. Dr. BasileleMalomalo
Profa. Dra. Caterina Alessandra Rea
Prof. Dr. Cleber Daniel Lambert da Silva
Profa. Dra. Elízia Cristina Ferreira
Profa. Dra. Francisca Rosália Silva Menezes
Prof. Dr. Francisco Vítor Macedo Pereira
Prof. Dr. Ivan Maia de Melo
Prof. Dr. Luís Carlos Silva de Sousa
Prof. Dr. Luis Tomás Domingos
Prof. Dr. Marcos Carvalho Lopes
Profa. Dra. Maria de Nazaré da Rocha Penna
Prof. Dr. Mario Henrique Castro Benevides
Prof. Dr. Maurílio Machado Lima Junior
Prof. Dr. Ramon Souza Capelle de Andrade

3. JUSTIFICATIVA


O projeto do Curso de Filosofia (Licenciatura) no âmbito do Instituto de Humanidades e Letras da Universidade Internacional da Lusofonia Afro-brasileira, em seus campi nos estados federados do Ceará e da Bahia, destaca, dentre outros, os seguintes argumentos que consubstanciam a necessidade de sua existência:

1. Um curso de Filosofia, como um fórum acadêmico-institucional permanente de formação humanística, voltado para as discussões acerca da necessidade de atualização dos parâmetros do pensamento, da ação e da expressividade, com bases éticas,estéticas, políticas e culturais, afigura-se como absolutamente necessário no contexto social contemporâneo;na medida em que, por um lado, a ilustração moderna e pós-moderna tem propiciado a segmentação e a fragmentação dos saberes e das experiências, e que, por outro,tem se verificado a suplantação de todos os fatores de integração que não sejam os de critério econômico e tecnológico -os quais invariavelmente parecem vir sufragando todos os modos e os comportamentos de vida aos paroxismos do consumo, da indiferença e da alienação no tempo presente. A Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira - Unilab, no ideal de integração do cometimento ético dos diálogos interculturais, dos paradigmas próprios do pensamento, da ação e da expressividade plurais daqueles a que ideologicamente se convém denominar povos do sul, com bases na consecução de ações e de políticas de afirmação e de promoção da alteridade, da diversidade, da autodeterminação e da cooperação solidária internacional entre estes povos, empenha-se no redesenho epistemológico dos saberes e das práticas em prol do enfretamento histórico de alijamentos e de exceções materiais e simbólicas recorrentes - em nível local, regional, nacional e transnacional. Diante disso, à UNILAB cabe assumir o papel de concitar a todas e a todos os que entrevêem na vivacidade e na atualidade imprescindíveis dos diálogos filosóficos o azo para a aproximação e para a promoção da formação humanística de reflexão, de crítica e de ação ética, estética, política e cultural - indispensáveis aos/às envolvido(a)s nos processos de promoção humana na atualidade.Sob outros aspectos, a integrarem a formação deste fórum de Filosofia,afirma-se igualmente a necessidade de contemporização ante o fomento compulsivo das ciências positivas, com pretensões de única racionalidade possível, e ainda a evidenciação do contraditório epistêmico do pensamento e do sentimento ante o presente processo de automatização das esferas política e econômica, na esteira igualmente compulsóriado desenvolvimento imponderável do capitalismo em todos os níveis,a priorizar modelos de racionalidade quase unicamente em bases instrumentais, notadamente em sua feição tardia e periférica - comum aos enfrentamentos humanos e epistemológicos dos povos do sul e do(a)s intelectuais que organicamente pensam, discutem e buscam promover transformações em sua realidade historicamente às margens do centro.

2. O Instituto de Humanidades e Letras da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira(IHL/UNILAB) oferece, na área de conhecimentose no setor de estudos da Filosofia, componentes curriculares propedêuticos e epistemicamente convergentes à formação crítico-humanística nos demais cursos de graduação da UNILAB, notadamente nos da grande área das Humanidades. Os componentes curriculares filosóficos constituem, de fato, os fundamentos críticos, epistemológicos e humanísticos necessários para a proposta político-pedagógica de formação desses outros cursos. Todavia, essas disciplinas do núcleo filosófico não configuram apenas uma obrigatoriedade curricular das grades desses cursos.Posto que representem uma exigência curricular, elas são imprescindíveis para a formação do(a)s egresso(a)s -não só da formação inicial do Bacharelado em Humanidades (BHU), mas igualmente da maioria das graduações de nossa Universidade. Sendo assim, a Graduação em Filosofia, Licenciatura, do IHL/UNILAB deverá sistematicamente fortalecer o seu quadro de docentes, para fins de atender às necessidades regulares da Instituição, além do seu pressuposto fundamental, que é o de formação qualificada de professore(a)s capacitado(a)s para o Magistério de Filosofia - no que corresponda à Educação Básica, no Brasil (em específico nas microrregiões empobrecidas do Maciço de Baturité, no Ceará, e do Recôncavo baiano, na Bahia), assim como nos países lusófonos, notadamente africanos, parceiros no propósito internacional de integração, de cooperação, de solidariedade e de promoção humana e científica da UNILAB. Alhures a isso, a intensificação das discussões, das ações e das práticas filosóficas, assim como a promoção dos eventos e dos debates em torno dos saberes e dos temas filosóficos das tradições e das ancestralidades africanas e afro-brasileiras, em diálogo contínuo com a atualização da recepção e da contestação das escolas filosóficas do Ocidente, notadamente mediante a realidade política e cultural presente dos países lusófonos, mostra-se como providência imprescindível em afirmação da postura intelectual sensível ao redimensionamento dos valores e das dimensões estéticas, éticas e metafísicas dessas ancestralidades como pressuposto político e epistêmico de discussão, de compreensão e de avaliação ontológica de nossa realidade especificamente afro-brasileira. Pretende-se o cometimento em convergência desse sentido por meio da promoção contínua de Encontros, de Seminários, de Colóquios, de Fóruns e de Jornadas de natureza interdisciplinar e transdisciplinar; os quais deverão propiciar um ambiente filosófico autenticamente comunitário, para além dos paroxismos acadêmicos, em que consistentemente se enleve a qualidade do ensino e dos debates filosóficos, bem como se propicie a viabilização de meios mais consistentes, mais acessíveis, mais sensíveis, mais plurais e mais eficazes de divulgação e de promoção do redesenho ético-estético e epistemológico dos povos do sul – por isso, também, crescentemente mais próximos e mais consequentes aos interesses das gentes africanas e brasileiras. Disso se pretende a promoção de uma intensa interação do Curso de Filosofia (Licenciatura) do IHL/UNILAB, não apenas com os demais institutos e cursos de graduação e de pós-graduação da UNILAB, mas igualmente com a comunidade acadêmica e com os organismos e entidades locais, nacionais e internacionais envoltos no agenciamento político e humanístico desse redesenho ético-estético e epistemológico dos povos do sul.

3. Consoante o anúncio dessa pretensão, verifica-se, igualmente, como justificativa incontroversa de nossa Licenciatura em Filosofia do IHL/UNILAB, a necessidade premente da formação de professore(a)s de Filosofia - para atuação no Brasil e nos países parceiros da UNILAB, haja vista a pouca incidência de graduado(a)s em Filosofia a assumirem os conteúdos da matéria, tanto no Ensino Médio, quanto no Ensino Fundamental das escolas brasileiras, a pouca incidência de escolas de Filosofia nos países africanos e a sua inexistência no Timor Leste. Conforme as mais atuais tabelas do Educacenso do INEP–censo escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, do Ministério da Educação -, nota-se que o percentual de professore(a)s de Filosofia em sala de aula, com formação (licenciatura) na área, é, em média, de apenas 20,65% em todo o Brasil – notadamente de apenas 16,5%, no estado do Ceará, e de menos de 5%, no estado da Bahia[1]. Faz parte, portanto, da política pública educacional de expansão e de interiorização do ensino superior brasileiro a criação urgente de suficientes cursos de Filosofia, em atendimento aos preceitos da Lei nº 11.684, de junho de 2008, que altera o artigo 36 da Lei nº 9394/96 - determinando a obrigatoriedade da oferta do ensino de Filosofia, no currículo e no projeto pedagógico de todos os estabelecimentos de Ensino Médio do país, tanto públicos quanto privados. Ressalte-se, ademais, a exigência do(a)s profissionais docentes, responsáveis pelos conteúdos de Filosofia, por força do mesmo dispositivo legal, em deterem formação específica na área de Filosofia - ou seja, de serem portadore(a)s de diploma de licenciatura em Filosofia. Já no que atine aos países lusófonos africanos e ao Timor Leste, parceiros do projeto de integração e de cooperação solidária da UNILAB, ainda que os dados disponíveis não sejam precisos, o ensino de Filosofia nas escolas só se dá de forma regulamentar em Moçambique[2], posto que apenas nos dois últimos anos do Ensino Médio - e a existência de cursos de graduação em Filosofia é bastante aquém à demanda de aluno(a)s e de professore(a)s, sendo em sua maioria vocacionados e confessionais. De todos estes países parceiros do projeto de integração internacional da UNILAB, verifica-se a oferta de cursos de graduação em Filosofia apenas em Angola e em Moçambique, concentrados somente nos centros urbanos de Luanda e de Maputo, respectivamente. Ainda assim, os cursos angolanos de licenciatura em Ensino de Filosofia mesclam a formação docente filosófica com o ensino de História, de Ciências e de Língua Portuguesa - o que, no entanto, não sucede com as faculdades de Filosofia de Maputo (Santo Agostinho e Eduardo Mondlane). Disso se depreende a necessidade urgente de formação qualificada de pessoal para a atuação e para o desenvolvimento do campo da Filosofia, no âmbito de todos estes países lusófonos, de modo a que se intensifique o diálogo e a cooperação internacional solidária entre os seus povos - em bases éticas, transculturais e humanísticas cada vez mais alargadas.

4. Consciente da amplitude desse escopo, a Comissão instituída para a Elaboração do Projeto do Curso de Licenciatura em Filosofia (Portaria IHL/UNILAB nº 50/2014) concorre para atender às disposições contidas nas resoluçõesque disciplinam o ensino de Filosofia no Brasil (exigências dos pareceres CNE/CES 492/2001 e 12/2002, cominados com a Portaria INEP nº 218/2011 e com as Orientações Curriculares Nacionais do Ensino de Filosofia - OCENs[3]), em consonância com as diretrizes da UNILAB de integração, de cooperação internacional solidária com os países parceiros lusófonos - notadamente africanos – e de interiorização da oferta do ensino superior de qualidade, nas regiões do Maciço de Baturité e do Recôncavo Baiano; de modo a contribuir com a proposição de um ensino de Filosofia inovador, integrador e transformador - concernente à conscientização e à crítica dos problemas e das questões do pensamento, do conhecimento, da linguagem, da experiência, da técnica, da produção estética, da prática e da ação histórica e política atual -, em um diálogo contínuo das correntes filosóficas mais concorridas e festejadas pela tradição acadêmica com o diagnóstico da realidade ontológica dos modos e dos comportamentos de vida propriamente assentados na ancestralidade dos saberes, das éticas, dos sistemas de valores e das metafísicas de matrizes africanas e afro-brasileiras-diaspóricas -com ênfase, portanto, nos ambientes ético-político-culturais dos povos do sul, nomeadamente em suas expressões lusófonas.

5. Nesse contexto de interação, mediante uma formação humanística culturalmente diversificada, igualmente com esteio na inter e na transdisciplinaridade, pretende-se a instauração e a disseminação deum vívido diálogo filosófico- a respeito dos sistemas, das escolas, das teorias, das correntes, das formulações, das tendências e das visões de pensamento do(a)s autore(a)s que se ocupam das questões humanas dos mais diferentes grupos de interesses articulados à – i) História do Pensamento Filosófico; ii) Ontologia e Metafísica; iii) Lógica, Epistemologia, Teoria do Conhecimento e Filosofia da Linguagem; iv) Ética e Filosofia Política; v) Estética e Filosofia da Arte; vi) Filosofia, Cultura e Pensamento em África e Brasil e ao vii) Ensino de Filosofia e Filosofia da Educação -, notadamente no que digam respeito a aspectos como a diversidade, a singularidade, a autodeterminação e a alteridade dos sujeitos e dos coletivos, no decorrer da história das ideias e dos movimentos filosóficos - até a atualidade de sua recepção e de sua atualização, nomeadamente no ambiente específico da lusofonia afro-brasileira. A conformidade desse projeto amiga-se, assim, à promoção do intercurso a propósito dos debates e das movimentações das ideias e das expressões da Filosofia- em suas diversas tradições e em seu tempo presente -, em um ambiente de integração multi, inter e transcultural, igualmente ideado como propósito e missão da UNILAB. 

6. Daí se segue à atenção segundo a qual, de fato, há de haver - para a definição e para o fortalecimentodas Linhas de Ensino, de Pesquisa e de Extensão,no âmbito do Curso de Graduação em Filosofia da UNILAB (Licenciatura) – uma preocupação contínua com relação à manutenção itinerante dos diálogos filosóficos com as tradições e com as expressões múltiplas dos movimentos e do pensamento dos envolvidos no projeto de integração e de cooperação internacional dos povos do sul.No que atine a isso, inicialmente, é que se concebe desmembrar, igualmente conforme as recomendações do ENADE/INEP (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes do Ensino Superior/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), das Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino de Filosofia do Ministério da Educação, das Resoluções do Conselho Nacional de Educação para o Ensino de Filosofia e do entendimento que pretendemos ao nosso curso, em consonância com as diretrizes de integração, de interiorização e de cooperação internacional da UNILAB, as seguintes linhas de Ensino, de Pesquisa e de Extensão em Filosofia, conforme os grandes eixos estruturantes que se seguem:i) História do Pensamento Filosófico; ii) Ontologia e Metafísica; iii) Lógica, Epistemologia e Filosofia da Linguagem; iv)Ética e Filosofia Política; v) Estética e Filosofia da Arte; vi) Filosofia, Cultura e Pensamento em África e Brasil e vii) Filosofia da Educação e Ensino de Filosofia. 

7. Diante dessa orientação geral,os tradicionais componentes de Histórias da Filosofia mantêm-se conforme as diretivas do ENADE, do CNE/CES e do INEP para os cursos de Filosofia no Brasil, posto que sejam então dissolvidos e redistribuídos trimestralmente em uma disposição temática e curricular topicalizada, que permita a inserção dos diálogos com as culturas, com as linguagens, com as visões e com as especificidades do pensamento de expressões ancestrais e diaspóricas dos povos do sul (o que não deixa de possibilitar o planejamento e a execução concertados de propostas diversificadas, dentro de cada eixo -Histórico, Ontológico e metafísico, Lógico e epistemológico, Cultural e filosófico em África e Brasil, Ético-político, Estético-artístico e Educacional). Portanto, no tocante à organização curricular, embora os eixos temático-estruturantes do curso (que têm por base tais componentes da história do pensamento e das ideias filosóficas) mantenham-se – haja vista as disposições de portarias do INEPe do CNE/CES, que assim determinam –, não é mais o caso de se seguir atrelado ao modelo seriado semestral e preponderantemente centrado na exposição das escolas filosóficas de ascendência europeia. 

8. Os referidos eixos devem, pois, continuar a constituírem-se com base no processo histórico de apresentação das ideias filosóficas, posto que concernentemente ao desenvolvimento de perspectivas críticas e de releitura da cultura filosófica em nova configuração epistemológica, ética e axiológicado sul - conjuntamente, portanto, às discussões a respeito da exposição, da recepção, do enfrentamentoe do embate dos problemas e dos temas filosóficos atinentes ao diálogo,em tensão histórico-cultural e dialética, com a tradição de pensamento massivamente europeia. Ante as inevitáveis exigências e contraposições desse redesenho epistemológico do pensamento filosófico e cultural dos povos do sul, notadamente em suas matrizes afro-brasileiras e diaspóricas, o conjunto desses eixos apresenta-se vazado pela transversalidade das discussões e dos temas gerais de interesse à Filosofia, posto que renovadamente em perspectiva de construções éticas, epistemológicas e culturais suleadas, atualizadas e reafirmadas pelo movimento de redimensionamento do pensamento em vertentes de ascendência e de ancestralidade cultural afro-brasileira.

9. Dessa forma, constituem-se os conteúdos curriculares básicos exigidos para um curso de Licenciatura em Filosofia no Brasil, posto que em seu fluxograma se observe a disposição mais concentrada dos tópicos mais gerais, típicos dos componentes de História da Filosofia,nos trimestres que iniciam o curso;de maneira que os últimos devem ficar reservados para os componentes complementares, inclusive os opcionais e os eletivos - mais voltados para a Prática, para a Especificação dos Exercícios Filosóficos (de Iniciação à Docência e à Pesquisa) e para os Tópicos de discussão ética, estética, política e cultural: em torno dos temas da diversidade, da inter e da transdisciplinaridade – em conformidade com a nova perspectiva de interação política e de integração cultural já anunciada, bem como com as expressões epistemológicas e de manifestações do pensamento de matrizes, de identidades e de atualizações sociaisdo sul. 

10. Por força das resoluções e das diretivas in retro mencionadas (ora vigentes), os componentes didático-pedagógicos devem continuar distribuídos em conformidade com os correlatos eixos pedagógicos, os quais norteiam a formação em Licenciatura, em parceria direta com a Licenciatura em Pedagogia da UNILAB; no que atine, por exemplo, os componentes didáticos, de técnicas e de teorias de aprendizagem e de estrutura e funcionamento do ensino, comuns ao projeto de Licenciatura em Filosofia que ora se apresenta. Todavia, deve ser criado um sétimo eixo norteador, específico para a Prática de Ensino em Filosofia e para o Estágio Supervisionado em Filosofia; o que, portanto, justifica a inserção do eixo de Ensino de Filosofia e de Filosofia da Educação - mais uma vez, em específico, atrelado às especificidades da realidade filosófica dos espaços lusófonos e de integração do sul.

11. Referimo-nos igualmente à necessidade de abrigar no Projeto os objetivos do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes do Ensino Superior (ENADE), integrante do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), instituído pela a Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004; regulamentado pela a Portaria Ministerial nº 2.051, de 09 de julho de 2004, e pela a Portaria Normativa nº 03, de 1º de abril de 2008, haja vista que é este o parâmetro atual de avaliação da qualidade dos cursos de graduação no Brasil. O ENADE tem como objetivo geral “avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares, às habilidades e competências para a atualização permanente e aos conhecimentos sobre a realidade brasileira, mundial e sobre outras áreas do conhecimento”. A considerar as definições estabelecidas pela Comissão Assessora da Área de Filosofia para o ENADE, instituídas pela Portaria nº 218 de julho de 2011 do INEP, o/aprofissional egresso/a do Curso de Filosofia, seja ele/ela Bacharel ou Licenciado(a), deverá apresentar uma sólida formação em História da Filosofia, que o/a capacite a compreender os principais temas e questões filosóficos, bem como a transmitir o legado da tradição filosófica como reflexão crítica de sua própria realidade social, histórica, política e cultural. São igualmente ressaltadas as capacidades: 1) de compreender a importância das questões acerca do sentido e da significação da formação e da existência humanasno mundo e 2) de dominar o vocabulário próprio das Filosofias, de modo a habilitá-lo/la a dialogar com as ciências, com as artes, com a política e com a cultura em geral (Portaria Inep nº 218/11, art. 5º, I e III; art. 6º, II e IV).

[1]As tabelas têm dados sobre todas as disciplinas em todos os estados, nas redes pública e privada, com base nos censos escolares, de 2012a 2014. Precisamos ver, contudo, como se interpreta corretamente essas tabelas, mas supondo que o dado "função docente" significa o vínculo do(a) professor(a) com a instituição de educação (e com a disciplina), chega-se a números da relação licenciado(a)s em filosofia/funções docentes em filosofia, nos estados do Brasil (por aproximação, supomos, a partir desses dados é possível estimar a relação entre o número de licenciado(a)s e o número de professore(a)s efetivo(a)s na rede).Vejamos uma suma de uma primeira análise da rede pública, com base na média de 2012 a 2014 do Censo Escolar:- Estados com menos de 5% de licenciado(a)s em filosofia, entre as funções docentes em filosofia: GO, BA, PE, MT;- entre 5% e 10%: TO, RR, RO, AC, SE, ES, RN;- entre 11 e 20%: AM, MA, PI, CE, AL, MS, MG;- entre 21 e 30%: PA, PB, SC, RJ;- acima de 30%: AP (31%), PR (42%), SP (56%), DF (72%). Note-se que, com relação às funções docentes,ocenso escolar tem como unidade básica de coleta a escola. Neste levantamento, a escola informa quanto(a)s professore(a)s estão atuando em sala de aula; entretanto, esse(a)s professore(a)s podem atuar em outras escolas. Da mesma forma, dentro de uma escola, o(a) mesmo(a) professor(a) pode atuar em mais de um nível/modalidade de ensino. Por essa razão, é que se dá o uso do termo “função docente”. Cf. http://portalgeo.rio.rj.gov.br/mlateral/glossario/T_Educacao.htm#f; http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/12/1390053-55-dos-professores-dao-aula-sem-ter-formacao-na-disciplina.shtml. Esses dados confirmam que há menos licenciado(a)s do que professore(a)s, mas esse resultado já seria esperado, pois havia dados de que no Brasil, como um todo, a carência de licenciado(a)s em filosofia seria de cerca de 100mil, diante de 20mil licenciado(a)s trabalhando como professore(a)s, algo assim como 17%.Ou seja, a necessidade total de professore(a)s de filosofia no Brasil seria de 120.000. Se em 2012 eram, no Brasil, 21%, hoje deve ter melhorado um pouco. Com essas tabelas pode-se tentar estimar a situação de cada estado, de modo um pouco mais preciso, mas deve-se considerar que também é preciso pesquisar sobre a qualidade dos dados do Censo Escolar. Eles são informados pelas escolas, e pode-se duvidar que as informações em todo o país sejam precisas e completas. 

[2]Cf. http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/caduc/article/viewFile/1609/1492 

[3]Esses são os parâmetros regulamentares para o ensino superior de Filosofia no Brasil, os quais exigem a comprovação de competências e de habilidades específicas para o(a)s egresso(a)s de formação na área, e que, por isso, devem obrigatoriamente estar contempladas no presente projeto, tomando como referência principal uma sólida formação em história da filosofia - consistente em compreender os principais temas, problemas e sistemas da filosofia ocidental, assim como apropriar-se da história da filosofia, ela mesma, como objeto de reflexão para o próprio filosofar. Desse modo, a comissão decidiu a respeito da imprescindibilidade do projeto em apropriar-se da transmissão do legado da tradição filosófica, em diálogo com as ciências, com as artes e com a cultura em geral (art. 5º da Portaria INEP 218/2011), e, em específico, com a Filosofia que empreenda a reflexão sobre o pensamento e a cultura das diásporas africanas, no sentido de se construírem, no âmbito de nosso projeto filosófico, as discussões a respeito de uma Filosofia da Ancestralidade Afro-brasileira e, por conseguinte, o estabelecimento do debate acerca de novas epistemologias, éticas e reflexões estéticas concernentes os povos do sul (conforme estatuto da UNILAB, em seus artigos 5º e 6º, disponível em: http://www.unilab.edu.br/wp-content/uploads/2013/11/Estatuto-Unilab_aprovado-no-Consuni_Nilma-Lino-Gomes.pdf). Temos, por isso, de ineludivelmente pensar em todos os parâmetros exigidos, no sentido de harmonizá-los com o projeto de integração, de internacionalização e de interiorização da UNILAB.

4. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

O marco teórico do Curso de Filosofia (Licenciatura) do Instituto de Humanidades e Letras da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira(IHL/UNILAB) pretende estar em conformidade com as disposições contidas no parecer CNE/CES/583/2001, que dispõe sobre as diretrizes curriculares dos cursos de graduação, assegurando às IES a autonomia quanto à especificação das unidades de estudos a serem ministradas e aos campos de estudo a comportar os currículos, entre outras deliberações.

Segundo o referido parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) se deve, contudo, por meio das ações pedagógicas do curso 1) proporcionar uma sólida formação geral,a propiciar a superação dos desafios de renovadas condições de produção do conhecimento; 2) propiciar a autonomia profissional e intelectual do(a) aluno(a) e 3) fornecer a articulação da teoria com a prática.

Disso se segue que o projeto pedagógico deverá refletir a dimensão política – a qual expressará os objetivos do curso,a orientar consistentemente a formação profissional. Tal projeto deverá constituir-se em uma postura sistematizada de produção e de distribuição do saber específicos, articulando-se com a legítima manifestação da cultura,tendo a prática social como horizonte de sua efetiva aplicação.

Em cumprimento a esse entendimento, o Curso de Graduação em Filosofia (Licenciatura) do IHL/UNILAB deve satisfazer, no que concerne aos aspectos metodológicos e às perspectivas de abordagem, as problematizações da Filosofia, em seus múltiplos aspectos - a começar pela problematização em torno da própria definição de Filosofia. A proposição filosófica de um curso de estudos sobre o(s) pensamento(s) filosófico(s) deve se dar, portanto, na medida em que represente a diversidade das posições do diálogo ante a busca de identidades, de saberes, de práticas e de (in)compreensões socialmente estabelecidas; a diferenciarem-se, contudo,como propostas e níveis críticos específicos, metodologicamente efetivados por intermédio da dialogia e da reflexão crítica itinerante com a tradição teórica de reconhecidas correntes e tendências do pensamento filosófico. O “o quê?”, o “como?”, o “por quê?” são diretrizes validadas em todas as abordagens metodológicas de todos os conteúdos de disposição filosófica, a interporem-se indefinidamente diante de qualquer construção discursiva, convertendo-a em conteúdo problemático de relevância filosófica no presente.

Analiticamente, a Filosofia decerto se afigura a um discurso acerca das condições de legitimidade e de possibilidade de enunciados em perspectiva de diálogo. Tal caráter crítico e metadiscursivo deve, contudo, anular a possibilidade de dogmatismo. Ao lado da postura inquiridora, o caráter especulativo, ao forjar explicações, assenta exercícios e propostas de racionalidade ativamente legitimados pela práxis humana, para além das convenções de práticas meramente discursivas, puramente teóricas (como critérios positivos de decidibilidade formais ou empíricos) e/ou estritamente práticas (normativas) e pragmáticas (imediatistas e ideadas a fins alienados da prática em si). Os procedimentos em Filosofia devem, por isso, igualmente afastar da atitude inquiridora a possibilidade do ceticismo inoperante. 

Em segundo lugar, as diretrizes do CNE mostram, por outro lado, a diversidade de dimensões e de objetos, bem como de perspectivas e de métodos de abordagem de que dispõe a Filosofia. Embora sejam múltiplos os seus objetos e perspectivas, sua atenção está voltada para a totalidade. No que concerne aos conteúdos, uma abordagem histórica – a apresentar as constantes mudanças paradigmáticas, o desdobramento das diferentes correntes de pensamento, a formação das diversas escolas e do(a)s seus/suas autore(a)s – só pode se dar na perspectiva em que a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade tramem o complexo tecido de relações entre as diversas esferas da cultura (filosofia, política, religião, arte, cultura, ciência, história, economia, etc.), de modo a possibilitar a compreensão e o ocaso dos processos de constituição da tradição logocêntrica ocidental - desde a “ruptura” com a tradição mítica às inquietações ante os desafios éticos e as demandas tecnológicas do presente.Isso, no nosso caso específico, sem deixar de criticar e de infirmar as suas perspectivas - de imposições e de imposturas históricas -, e de apresentar novas abordagens e culturas de pensamento que se levantem ética e ontologicamente como alternativas ao intus logocêntrico das tradicionais filosofias de abordagem ocidental. 

Com efeito, para a realidade e para a atualidade do debate filosófico que se pretende para a UNILAB, o crescente processo de racionalização na formação e na significação humana, embora de raiz metafísica, deve ser criticado e contraposto às tendências de evolução histórico-analítica do pensamento. Se, na esteira da tradição ocidental, a Filosofia, suposta e fundamentalmente, se emancipa desde uma guinada anti-mítica, por isso, já no início, ela torna problemático o seu anunciado confronto racional entre as cosmovisões e as cosmogonias, de ascendência afro-brasileira ou não, e a predominante instituição cultural judaico-cristã. Trata-se, talvez, de algo que reverbere desde o período que, historicamente, se considera como Antiguidade e, assim, sucessivamente, nas gerações das demais tradições metafísicas – ora a centralizarem-se no culto iluminista da razão, ora a redundarem transfiguradas no culto positivista da ciência e da técnica, como expressão de nova guinada anti-metafísica - ora ainda a reproduzirem, monotonamente, no anteparo dos discursos funcionalistas e dos lançamentos da tecnologia da informação, as plataformas de postulações jurídicas e convencionais. 

Trata-se, pois, da superposição de modelos de racionalidade, cujos desdobramentos genéticos desembocam, enfim, numa crise moderna e pós-moderna da razão, na qual as culturas periféricas dos povos colonizados do sul, ao invés de sufragarem no empuxo conceitual das indefinições, podem se afirmar como autêntica e renovada dimensão de pensamento e de ação, em promoção da reinvenção das bases éticas e culturais das relações humanas (dos homens, das mulheres, dos seus coletivos e dos povos entre si, e destes com o planeta).

A investigação dos diversos problemas sistemáticos – dimensões e objetos constitutivo-discursivos da problematização filosófica – deve, assim, por um lado, ensejar a possibilidade de visualização externa da posição da Filosofia no conjunto das produções culturais (ciência, arte, religião, moral, etc.), promovendo as suas potenciais relações éticas, políticas, estéticas e epistêmicas; para, enfim, consentaneamente, possibilitar a atuação de sua peculiaridade na realidade interna em que dela o(a)s seus/suas envolvido(a)s se valem. Contudo, por outro lado, a sua finalidade básica da Filosofia, - não necessariamente conforme uma contingência teleológica - não deixa de ser a de igualmente apresentar a disposição interna do pensamento, em termos específicos e com ímpeto próprio, como uma concepção racional do “ser” e do humano em suas atribuições teórico-práticas de conhecimento e de produção cultural da realidade.

Disso se segue a significação filosófica das reflexões e das ações humanas (teoria axiológica, ou dos valores), mais especificamente como questões de ordem:1) metafísica (com seus respectivos problemas acerca dos conceitos de “divindade”, de “liberdade”, de “infinitude” e de “imortalidade)” e ontológica (com a problematização do ser e de seu status ante a realidade de sua formação e de sua produção no mundo); 2) lógica, linguística e gnosiológica/ de filosofia da ciência (conforme as possibilidades de expressão significativa e validada de seus enunciados); e 3) ética, estética, de filosofia política e de filosofia da religião (conforme a inventividade e a disponibilidade da ação em suas demandas por liberdade).

Na medida em que, didática e metodologicamente, defina-se a Filosofia como o exercício crítico e reflexivo do pensamento, não deve se assumir para a mesma uma postura nem cética, nem dogmática; algo que seria contrário ao empreendimento dos processos humanos de liberdade. Por certo que a finalidade das diretrizes acima dispostas deve ser, ineludivelmente, a de promoção humana e social. Nesse sentido, se a Filosofia que pretendemos depende do fomento da cultura e do incentivo às ações críticas e reflexivas em tomada da realidade de integração e de cooperação internacional solidária com os povos do sul, deve se ter como condição primordial, senão única, para o Curso de Graduação em Filosofia do IHL/UNILAB a promoção da educação para a formação humanística acolhedora, sensível, promotora e receptiva de todas as expressões da diversidade multiétnico-racial e cultural dos povos do sul. Da educação, em sentido lato, como forma de igualmente promover a cultura filosófica e, consequentemente, atingir o escopo da humanização social.

Circunstancialmente, o modelo de educação e de formação filosófica aqui em vista deve ser integral e humanístico, tendo como paradigma não somente bases cognitivas, mas também de agendamento política e culturalmente compartilhado e coletivo. Noutros termos, 1) além de ser uma educação filosófica dotada de um aspecto epistêmico, ideado à consecução e ao aprimoramento dos conhecimentos humanísticos em geral, deve 2) proporcionar uma formação capaz de possibilitar a visualização dos valores éticos em perspectiva sincrônica e diacrônica da realidade de atuação da UNILAB, potencializada pelo 3) aprimoramento das capacidades e das habilidades de percepção e de produção estética (sensível e sensitiva); bem como 4) – por meio de uma formação para o exercício da cidadania –promover a preparação para a) a tomada ética de consciência acerca da necessidade de ativo envolvimento sócio-político e b) –em satisfação à necessidade de articulação dialética entre teoria e prática–preparar para o exercício profissional, desde que o trabalho assuma um tèlos libertador, jamais reduzido a uma espécie de adestramento para a produção e o consumo, ou ainda para a mera reprodução técnico-teórica.

Tal processo de emancipação social por meio da formação filosófica, no âmbito individual e coletivo, reflete-se em termos de uma educação autônoma, criticamente capaz de desenvolver a consciência e a ação; as quais independentemente possam se afirmar diante de quaisquer coações autoritárias e/ou de viés utilitarista – tão em voga nas relações cotidianas do contemporâneo. Somente assim, o curso satisfaz o seu requisito primordial como instituição universitária – com esteio em processos construtivos e argumentativos autônomos –, a contribuir para a formação de uma sociedade brasileira, em associação com os seus parceiros, politicamente ativa e livre; o que fomenta a circunstancial necessidade de transvaloração das práticas no atual ambiente de capitalismo e favorece a tendência à mutabilidade inerente ao processo histórico de injunção cultural aos modelos dominantes do norte.

5. METODOLOGIA

Esta Comissão e seus Colaboradores concordam com a recomendação do CEE-FILO ao MEC-SESU, em resposta ao edital 04/97, quanto à metodologia a ser utilizada nos Cursos de Filosofia, e acata como condição sine qua non para o Curso de Graduação em Filosofia da UNILAB o pressuposto de que se deve promover o contato direto com as fontes filosóficas originais, a ser desenvolvida a compreensão lógica e hermenêutica por meio de muita leitura e de discussões em grupo. Portanto, será sempre indispensável a leitura, ao menos em português e em espanhol, dos textos do(a)s autore(a)s,e que seja estimulada a leitura dos textos filosóficos nos idiomas originais. Recomenda-se igualmente que o(a)s licenciado(a)s se instrumentalizem com diversos recursos bibliográficos, didáticos e midiáticos (bancos da internet, filmes, jornais, redes de periódicos, etc), além de se habilitarem ao uso dos modernos recursos da informática.

Isso tudo sem que se perca de vista as vivências, o cultivo dos grupos de estudo, de pesquisa e de discussões. Em outras palavras, que sejam efetivamente criadas condições para que os discentes participem de excursões de estudos, a fim de que in loco reflitam sobre a realidade que estudam; uma disposição em consonância com o Projeto de Resolução anexo ao Parecer CNE/CP 28/2001, homologado em 17/01/2002, no seu Art. 1º, inciso IV, que determina para os estudantes a necessidade de 200 (duzentas) horas para outras formas de atividades acadêmico-científico-culturais.Sob esse aspecto, orientar-se-á o(a)s discentes sob uma perspectiva que lhes propicie a visão da necessidade do engajamento efetivo nos processos emancipatórios e de aprendizagem contínua, através da formação de uma consciência crítica, em vista dos problemas sócio-políticos envoltos em sua formação acadêmica e cidadã - em âmbito local, nacional e internacional.

Uma vez que essa visão de formação deve ser melhor proporcionada mediante uma articulação dialética entre teoria e prática, os conteúdos teóricos deste Projeto Político-Pedagógico (sejam cognitivos, normativos ou diretivos) devem ser complementados de forma dialética com uma dimensão prática absolutamente atuante e comprometida, fazendo com que a práxis educativa da relação professore(a)s-aluno(a)s se estenda em termos de atuação do(a) discente no meio social, notadamente no ambiente de integração internacional da UNILAB.

6. OBJETIVOS

Objetivo geral:

A Licenciatura Plena em Filosofia objetiva formar o(a) estudante para atuar no magistério do Ensino Médio, na pesquisa e em ações sociais concernentes à promoção dos temas da Filosofia e da Educação Filosófica, visando desenvolver essa formação em diálogo com perspectivas críticas, inter e multiculturais , epistemologicamente heterogêneas, que possibilitem a promoção da Integração do Brasil com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, especialmente com os países parceiros africanos, assim como visa, igualmente, dialogar com as comunidades periféricas, minoritárias e historicamente colonizadas. Objetiva, ainda, preparar o(a) estudante para a pesquisa em nível de Pós-Graduação.

Objetivos específicos:

1. Proporcionar uma formação qualificada em Filosofia, que contemple as singularidades do ensino de Filosofia no Brasil e nos demais países membros da CPLP, especialmente os africanos, tendo em conta a diversidade de aspectos legais e pedagógicos inerentes às realidades educacionais e políticas em cooperação.

2. Formar licenciado(a)s, conforme as exigências dos parâmetros do MEC e do ENADE, na perspectiva inter e multi cultural, tanto quanto inter e transdisciplinar, não restrita a abordagens etnocêntricas, articulando conhecimentos e experiências das realidades locais com o cosmopolitismo cultural dos povos do sul. 

3. Formar licenciado(a)s capazes de desenvolver qualificada pesquisa em Filosofia, combinando ensino, extensão e investigação filosófica como bases da formação e da prática educacional comprometidas com a realidade social do Brasil e dos países parceiros.

4. Estabelecer, em consonância com as diretrizes e com os princípios gerais da UNILAB, a articulação de todas as ações de ensino, de pesquisa e de extensão a disposições reflexivamente heterogêneas e epistemologicamente não hegemônicas, com supedâneo na inter e na multiculturalidade, em evidência da integração da diversidade de pensamentos, de ações e de experiências, convergentes ao ideal de cooperação solidária entre os agentes e os países parceiros da UNILAB.

5. Promover ações e iniciativas em formação filosófica, na perspectiva de descolonização do pensamento e de valorização das diversidades étnico-culturais, visando a crítica da disciplinaridade/colonialidade dos saberes e das práticas que caracterizam a modernidade, de maneiraainda a proporcionar a autonomia de disposições e de posturas em renovação das possibilidades de atuação filosófica no tempo presente.

6. Fomentar processos educativos que possibilitem a discussão, a aprendizagem, a vivênciae a manifestação autônomas do filosofar, como experiências de subjetivação singularizante – dos indivíduos e dos coletivos - e como produtores de modos de ser, de estar, de sentir, de compor e de agir críticos e criativos da própria realidade, em fruição e em percepção da autoeducação mediante a diversidade.

7. Propiciar uma ambiência educacional pública voltada à discussão e ao enfrentamento das questões sócio-políticas da atualidade, numa perspectiva crítico-propositiva e ético-estética com vistas à atuação e à produção filosófica no mundo da vida a incluir diversificadas composições do saber/fazer filosófico, em diálogo com as tradições, com as diferenças de culturas, de saberes e de fazeres, ao mesmo tempo que em oposição a todas as recidivas de racismos, de fascismos, de ódios, de sectarismos e de divisionismos no tempo presente.

8. Promover a formação em Filosofia, ela mesma, como problema filosófico, em abertura à diversidade da produção, da expressão e da manifestação filosóficas como exercício em busca e em construção do sentido, individual e coletivo, da própria existência.


9. Privilegiar as ações do coletivo de Filosofia da UNILAB como experiências em um espaço heterotópico, em que várias dimensões do pensamento, da arte, da ciência, da política, da religiosidade e da espiritualidade confluem ao redimensionamento da consciência comunitária - inter-racial, internacional, interdisciplinar, intercultural, inter-religiosa, entre outras - e da ética do indivíduo e dos coletivos como práxis existencial.

7. PERFIL DO PROFISSIONAL